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sábado, 12 de março de 2011

FIGURAS DE PROA OU CARRANCAS


A primeira expressão de testa-de-ferro aparece associada ao aríete, uma máquina de guerra inventada pelos romanos que servia para arrombar portas de fortalezas, esta máquina era constituída por um forte tronco de freixo com uma testa de ferro ou de bronze que tinha geralmente a forma da cabeça de um carneiro. O nome aríete vem do latim “ariete” que significa carneiro. Nos navios de guerra da antiguidade também se usavam estas testas de ferro, em esporões que eram colocados nas proas das trirremes e que tinham como propósito arrombarem os navios adversários na altura da colisão.


A “carranca”, “figura de proa” ou “leão de barca” é uma figura decorativa esculpida em madeira, frequentemente com formas femininas ou animais, que se usou na proa os navios entre os séculos XVI e XIX sob o mastro do gurupés e da vela da bujarrona. A prática foi introduzida com os galeões do século XVI apesar de anteriormente a isso, alguns tipos de navios terem alguma espécie de decoração ou ornamentação da proa.


Tal como a decoração da popa, a carranca tinha por objectivo indicar o nome da embarcação a uma sociedade iletrada, como era a de 1500, para além de demonstrar a riqueza e o poder do armador. No auge do período Barroco, alguns navios ostentavam figuras de proa gigantescas que pesavam algumas toneladas e chegavam a ter réplicas em ambos os lados do casco.


Uma figura enorme, esculpida em madeira maciça e cravada no topo da proa, prejudicava as qualidades de flutuabilidade do barco. Este facto, aliado ao custo fez com que as carrancas fossem feitas significativamente mais pequenas durante o Séc.XVIII, caindo em desuso por volta de 1800.



Depois das guerras Napoleónicas, houve um período de revivalismo desta forma decorativa mas as figuras eram elaboradas apenas da cintura para cima, em lugar das esculturas completas e maciças usadas anteriormente.


Os Clippers das décadas de 1850 e 60 tinham figuras completas mas estas eram relativamente pequenas e leves. As figuras de proa enquanto tal desapareceram com o fim dos grandes veleiros. 


Os primeiros navios a vapor, no entanto, eram decorados com frisos dourados ou escudos de armas nas suas proas. Esta prática durou até próximo da I Grande Guerra.



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